Sequências textuais
Uma sequência textual é o conjunto de
elementos (palavras) que possibilita que um texto tenha características
narrativas, descritivas, argumentativas e/ou injuntivas. Desse modo, as
sequências podem determinar se o texto será predominantemente do tipo
narrativo, descritivo, argumentativo ou injuntivo.
1. Sequência narrativa
A sequência narrativa é construída
basicamente de verbos que expressam ação e encadeiam causas e consequências,
revelando a interação de elementos (personagens, por exemplo) para a realização
de fatos.
Observe o texto:
Como tratar o inimigo
Um soldado no Iraque recebeu
uma carta da sua namorada, que dizia o seguinte: “…Querido John: Não podemos
continuar com esta relação.
A distância que nos separa é demasiado
longa.
Tenho que admitir que tenho sido infiel
já por várias vezes desde que te foste embora. Acredito que, nem tu nem eu
merecemos isto!
Portanto, penso que é melhor acabarmos
tudo! Por favor, manda de volta a foto minha que te enviei. Com Amor, Mary”.
O soldado John, muito magoado, pediu a
todos os seus colegas que lhe emprestassem fotos das suas namoradas, irmãs,
amigas, primas, etc… Juntamente com a foto de Mary colocou, todas as outras
fotos que conseguiu recolher com seus colegas, em um envelope. Na carta que
enviou à Mary estavam 87 fotos juntamente com uma nota que dizia:
“Querida Mary:
Isso acontece. Peço desculpas, mas não
consigo me lembrar quem tu és ! Por favor, procura a tua foto no envelope e me
envia, de volta, as restantes! Com carinho, com muito, muito amor… John”.
MORAL DA HISTÓRIA: Mesmo
derrotado… Saiba arrasar o inimigo!!!!!
Notamos que um elemento primeiro (a carta) se une a outros elementos
(namorado, ambiente etc.) e gera a consequência (resposta do soldado), o que
possibilita agrupar esse texto dentro do tipo narrativo, pois é
predominante a sequência narrativa.
2. Sequência descritiva
A sequência descritiva,
por sua vez, também pode possuir elementos como a sequência narrativa, tendo
como marca de distinção a não interação desses elementos para
a realização de fatos.
Leia:
Enquanto a casa pegava fogo,
um bebê chorava no quarto dos fundos e dois garotos brincavam de bola na rua em
frente.
Nesse período, percebemos a presença de
verbos de ação (pegava, chorava, brincavam) em uso com os demais elementos de
uma narrativa (personagens, tempo, espaço), porém, cada elemento permanece em
seu lugar, não apresentando uma interação que gere
consequências; o que temos é um panorama de uma situação, lembrando até mesmo
uma pintura impressionista.
Note a diferença quando se toma os
mesmos elementos, mas constrói-se uma sequência narrativa:
Enquanto a casa pegava fogo, um bebê
chorava no quarto dos fundo, alertando, assim, os dois meninos que brincavam de
bola na rua em frente.
Sem precisar dar continuidade ao
enredo, é possível constatar que, a partir do momento que o choro é percebido
pelos dois garotos, uma reação em cadeia ocorrerá: os meninos, preocupados ao
notarem uma casa pegando fogo e uma criança chorando, procurarão, de alguma
maneira, solucionar o problema, representando assim uma interação entre
elementos e possíveis consequências para os fatos. Eis a distinção entre um
panorama de uma situação (sequência descritiva) e a interação de
elementos para a realização de fatos (sequência narrativa).
3. Sequência argumentativa
Para um texto ser caracterizado
como argumentativo, é necessário a predominância da disposição lógica de
indícios, suposições, deduções e opiniões que busquem respaldar uma verdade potencial.
Portanto, necessário um conjunto de sequências argumentativas.
Acompanhe o fragmento de um
texto:
“Pensando bem, em tudo o que a
gente vê, e vivencia, e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa que, se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa
errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho. Chega na hora certa, fala as
coisas certas, faz as coisas certas, mas nem sempre a gente está precisando das
coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada.” (adap.: Luis Fernando
Veríssimo)
Por mais que existam sequências
descritivas que caracterizem a pessoa certa no fragmento acima, estas
sequências são utilizadas para justificar (respaldar) uma ideia que o autor do
texto julga ser verdadeira: “Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e
vivencia, e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.” Assim,
sem perder o valor adjetivo que as expressões dispostas na sequência descritiva
possuem, passam, em conjunto, a valerem como indícios e opiniões que
justificarão com o desenvolvimento textual o juízo de valor do autor.
4. Sequência injuntiva
Comum em manuais de aparelhos
eletrônicos e em receitas culinárias, a sequência injuntiva prioriza a presença de verbos no
imperativo com o intuito de orientar o leitor, por meio de comandos, na
realização de tarefas.
Acompanhando o áudio até o fim,
compreende-se que todos os dados apresentados comandam o ouvinte durante a produção
de um bolo, declarando sempre como cada elemento (ingredientes) deve ser
utilizado e em que ordem deve ser acrescentado.
A sequência injuntiva também pode ser
utilizada para, em um conjunto textual como o poema, transmitir um pensamento,
uma opinião. Veja:
Nesse poema de Décio Pignatari, notamos
como ele vê o consumo de um produto da indústria internacional. Sem utilizar-se
de sequência argumentativa, expõe o repúdio que tem pelo produto, grafado com
letra minúscula.
Dado o exposto, podemos perceber
que as sequências textuais são de fundamental importância para a produção de
textos, e que elas podem proporcionar a caracterização de um espaço, o relato
de um acontecimento, a divulgação de uma opinião e o encaminhamento de uma
atividade, mesmo que sejam utilizadas em contextos diferentes dos quais podemos
encontrá-las e expressem ideias para além do seu usual, como é apresentado no
exemplo final (sequências injuntivas que funcionam como divulgadoras de uma
opinião implícita).